"Onde é que arranjaste tanto estilo?", ou as crónicas de Marlon Williams, o bom malandro da Nova Zelândia
18.07.2019 às 21h58
No seu quarto concerto em Portugal em menos de um ano, o crooner da Nova Zelândia surpreendeu o público do Super Bock Super Rock com canções novas, uma delas em maori, e um à-vontade cada vez mais contagiante
A tarde está amena e, no palco recortado no azul-verde do Meco, Marlon Williams surge perante o pouco público que o aguarda, sentando-se a um piano elétrico. 'I Didn't Make a Plan' é a canção que, acompanhado pela sua bela banda, começa por apresentar, e Nick Cave o 'fantasma' mais próximo, num certo negrume cuja intensidade ameaça matar, logo ali, o verão que finalmente parece ter chegado.
Mas Marlon Williams, 28 anos e um talento tremendo, não é rapaz de um truque só. Nos últimos meses, tem conhecido pouco descanso, com digressões sucessivas (uma delas levou-o a fazer as primeiras partes de Florence and the Machine em estádios dos Antípodas). Por comparação com o concerto que vimos em Paredes de Coura, há coisa de um ano, está ainda mais cativante como performer e 100% apostado em divertir-se. E foi exatamente isso que fez essa tarde, no palco EDP do Super Bock Super Rock.
Além das magníficas canções que já lhe conhecemos, de 'Dark Child', que descambou numa saraivada de guitarras elétricas, a 'Nobody Gets What They Want Anymore', hoje naturalmente sem a ex-namorada Aldous Harding, Marlon Williams ainda aproveitou para estrear alguns temas novos, como 'Being Somebody', uma canção sobre essa coisa de estar vivo, com o seu quê de Elton John, e um tema em maori, língua do seu país, falada por muito poucas pessoas.
"Na verdade, falo muito mal maori", confidenciou-nos após o concerto. "Mas parte do desafio de escrever uma canção nesta língua passa por isso mesmo".
Visivelmente confortável em canções que já são a sua casa, descontraído e inventando -- no bom sentido -- novos caminhos para as suas criações, Marlon Williams faz até dos momentos mais doridos (afinal, "Make Way For Love" é um disco de coração partido) uma razão para celebrar. Como diria outro grande frontman há precisamente uma semana, "é virar o amor para dentro".
"Oh Marlão, onde é que arranjaste tanto estilo?", perguntam às tantas, em coro, os fãs mais afoitos de um homem que desliza com toda a facilidade do romantismo vintage de 'What's Chasing You' aos moves libidinosos mas divertidos de 'Vampire Again' e 'Party Boy'. Podíamos dizer que vai ser grande, mas já o é -- o mundo só tem de descobrir todo o charme de Marlon Williams.
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